Informação com credibilidade e autonomia. Cosnciente do uso do "ctrl c e v" em tempos de muita informação. LEIA e ajude a aumentar a massa de críticos (ativos ou inativos) do país.

9.15.2005

CRÍTICA DE TV. ALGUÉM SABE O QUE É ISSO ?

Paulo Thiago Ribeiro
Ao se discutir sobre o exercício e a prática da crítica, estamos fazendo uma reflexão sobre algo que representa a promoção do desenvolvimento da cultura no sentido de se estar expandindo novos horizontes e permeando novos conhecimentos para a sociedade.
O crítico deve se orientar por vertentes que passem pela valorização daquilo que não é só essencial e importante para ele. Ou seja, o simples fato de escrever alguma coisa de conteúdo contestatório apenas para enaltecer seu ego e lhe possibilitar maior status social, deve ser deixado de lado em prol de uma produção que realmente traga eficácia e ganhos coletivos.
A atividade crítica é algo penoso e complexo como afirma o autor Arthur Távola – em seu texto, nosso objeto de estudo. Ela necessita de estudo, de conhecimento prévio daquilo que vai ser tratado, Pois dessa forma, a crítica não se submete apenas a um olhar particularmente subjetivo que transfere a ótica do seu autor.
A crítica de televisão deve ser tratada de forma especial. Por se diferenciar dos outros meios devido a uma série de fatores, dentre eles, a produção de informação e entretenimento quase que de forma instantânea, a elaboração dos discursos que analisam o seu conteúdo deve levar em consideração todos os requisitos e conhecimentos técnicos nas suas várias etapas que geram ao final um produto –o programa -. Além disso, os críticos de TV devem manter um estreito relacionamento com as produções televisivas, porque isto garante uma maior credibilidade à informação e de também uma segurança quanto ao que se escreve. Ora, se os telespectadores são observadores das produções, então não cabe produzir erros que irão transmitir descredibilidade.
Com certeza os críticos assim como os comunicólogos não devem ter pré-conceitos daquilo que os meios de comunicação produzem. Por isso considero mais eficaz para uma boa informação a oportunidade de se acompanhar algo, de poder descrever o seu desenrolar, a sua evolução. Um exemplo para ilustrar isso, podem ser as críticas tecidas sobre documentários produzidos pelas emissoras. Nelas constam relatos da produção, que vai desde o desempenho de seus atores até na forma de como se definiu o cenário e de como é o enredo, porém com a segurança de se trabalhar tendo todos os dados e com a oportunidade de avaliar o desenvolvimento da “obra”.
Na nossa TV, a tradição cultural de seus conteúdos consiste em formatos de programas medíocres em informação e cultura. Eles variam de gêneros mas, sempre caem no formato consagrado de entretenimento barato que até é atestado pelos seus produtores, como exposição de temas e costumes populares. Sendo que, aquilo que é realmente transmitido nada representa o que é de fato cultura popular.
A nossa tradição se baseia em tratar a cultura como algo mercadológico que atende apenas a um sistema sedento de lucros. Creio que não haja uma forte tradição cultural na TV brasileira principalmente entre as emissoras comerciais, levando em conta o termo cultura como fonte de conhecimento, amadurecimento e valorização democrática. Porque o que agente observa depois de tanto tempo, desde a primeira emissora a TV Tupi, foi a implantação de um sistema assim como a da criação da TV, com o objetivo de ser mais um eletrodoméstico que seguirá as normas do mercado financeiro ensinando a toda a sua audiência, um modelo estereotipado de consumo e de ser.
Retornando a atividade de fazer crítica de TV, quero destacar agora a capacidade de ela interferir no processo produtivo dos programas e em suas estratégias de exibição. Ela de forma contraditória acaba fazendo parte de todo este sistema, que inclui também a audiência e os produtores. Para justificar essa possível interferência, basta citarmos que as produções televisivas são constantes, são semanais e diárias e, além disso o mercado conta com ela para promover mudanças que tragam e gerem mais lucros. Ou seja, os interesses mercadológicos absorvem a crítica para desenvolver os seus investimentos.
Isso acontece quando, por exemplo, as novelas recebem críticas que atestam a sua baixa audiência devido a seu enredo ruim ou ao seu péssimo cenário, e assim as emissoras aproveitam para promover alterações que venham a trazer agora lucros e benefícios. Porém, estas críticas podem ser superficiais e atender principalmente a apenas o mercado. Em resumo, TV usa da crítica para promover um reajustamento da sua audiência.
Porém quando ela é feita por pessoas que buscam avaliar o papel da televisão e a influência de seus programas dentro da sociedade, obtém um forte impacto. Estas são críticas éticas e responsáveis que analisam profundamente todo o sistema, buscando identificar melhoras e mudanças dentro de algo que combate a uma cultura saudável. Geralmente estas críticas não alcançam muito espaço, pois como foi dito, elas de alguma forma tentam ou incitam promover alterações quando alguma coisa não está dando certo. “Quem tem discurso crítico não dispõe de canais para expressão. Quem predominantemente os ocupa tende a oscilar entre o tom demagógico e o auto-investimento na imagem (marketing pessoal). O consumo de "produtos do entretenimento" está nivelado por baixo, tornando os segmentos societários indiferenciados. ( texto de Ivo Lucchesi, Mídia e Cultura, site do Observatório da Imprensa).” E quem produz essas críticas atualmente detém de um grande acervo de informação, talvez esteja até ai na capacidade de se selecionar as mais importantes, o fato de ter uma boa crítica. “No Brasil, todos os grandes jornais, a começar pelo O Estado de S. Paulo, aos poucos passaram a dispor de arquivos, mais ou menos rudimentares, quando os jornalistas começaram a mudar a prática de cada um se virar por si como possível. Mas certamente um marco terá sido o Departamento de Pesquisa do Jornal do Brasil, criado por Alberto Dines em 1962, tão logo assumiu o comando da redação para uma gestão renovadora que se estenderia por quase 12 anos.(Ricardo Setti).”
O crítico de hoje, o crítico de TV, é uma pessoa que ganhou maior aceitação social e méritos de uma inteligência que é capaz de estar sempre analisando o que há por trás do discurso televisivo. Os seus estudos operam mais no sentido de dar amplitude política e social a este meio que ganha relevância com o decorrer dos anos. Procurando observar as relações, principalmente a de poder, que existe entre os meios e a sociedade. Dentre alguns desses críticos podemos destacar, os jornalistas: Alberto Dines, Nelson Hoineff, Muniz Sodré (baiano), Carlos Brickman e Alberto Castilho.