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7.12.2005

ESTUDANTES SÃO AGREDIDOS EM ILHEÚS

REGISTRO DE TRUCULAGEM
Enquanto isso, em Ilhéus...

Companheiros, No dia 17/06 de 2005, mais uma vez na Bahia, a truculência e a falta de democracia falou mais alto. A cidade de Ilhéus recebia a visita do Governador Paulo Souto e do Senador ACM para inaugurações e assinaturas de convênios com prefeituras da região e, como toda vez acontece, os carlistas e soutistas ficaram em polvorosa, excitados com a presença dos babalaôs baianos. Nós, estudantes da UESC (Universidade Estadual de Santa Cruz), em reunião no dia anterior, demos o encaminhamento de que aproveitaríamos a presença do Governador do Estado para fazer um ato público em defesa da universidade pública. Vale ressaltar que já ultrapassamos 50 dias de greve conjunta com os professores. Nesse sentido, cerca de 20 estudantes, estenderam na frente do carro da comitiva, a faixa com o seguinte dizer "ESTAMOS EM GREVE PARA QUE SEUS FILHOS POSSAM ESTUDAR NA UESC", parando o trânsito por mínimos de 30 segundos e receberam uma hostil recepção calorosa dos seguranças de ACM. O carro que parou em frente a faixa transportava o canalha, vagabundo, desgraçado, cachorro, lesa-pátria, demagogo, nefasto, nazista e nauseabundo Senador Antônio Carlos Magalhães. Revivemos a ditadura militar. A segurança do senador e do governador não procuraram diálogo para o desbloqueio, partiram para a pancadaria. Não pouparam as mulheres, todos caíram no sarrafo. Chutes, pontapés, pescoções, murros e ameaças. Chegaram a sacar os revolvéres. A população transeunte ficou estarrecida. Impressionada com a vontade de reprimir um ato pacífico em defesa da universidade pública, com a agressividade, truculência e arrogância que são as marcas do carlismo na Bahia.
O companheiro Halysson Gomes, Coordenador Geral do DCE, teve a oportunidade de chegar na janela do carro que transportava ACM, e quando o senador o encarou ele gritou "DEMAGOGO". A PM tentava derrubar os estudantes dando chutes nas pernas. Nosso companheiro Denisson, do curso de História, foi espancado por 5 homens que depois de derrubado foi agredido com pontapés. As cenas começaram a ser registradas por Paulo Thiago, estudante de Comunicação Social, quando os seguranças da quadrilha viram a máquina e partiram contra o equipamento na clara intenção de não deixar testemunhas.
Mas a repressão não terminou com a passagem da comitiva. Terminado o ato, todos os estudantes andavam em direção ao Terminal Urbano, para pegar o ônibus e voltar para a Universidade, quando uma tropa do Choque e de seguranças não identificados, reiniciaram a pancadaria. Perseguiram o estudante Paulo Thiago para roubar a câmera que registrou a imagem dos agressores. Após muita correria e perseguição pelas ruas do centro, mais de quinze homens cercaram o companheiro e levaram o equipamento portátil, tentaram levar sua mochila, estavam procurando a fita. O equipamento foi entregue pela Polícia Militar a um homem não identificado, que estava num carro do governo do estado, isso mesmo, os agressores não identificados estavam em carros brancos com a logomarca do Governo do Estado da Bahia nas portas, como a expressão da conivência com a repressão. A máquina administrativa estava a serviço da truculência. Todos es estudantes agredidos foram para delegacia registrar queixa e fazer exame de corpo de delito.
A repressão está sendo denunciada amplamente. Rádios e jornais da região estão noticiando e faz-se necessário que espalhemos para o Brasil que na Bahia a múmia chamada ACM mandou espancar estudantes universitários indefesos, que na Bahia a democracia é uma falácia, que na Bahia o coronelismo ainda não acabou, que na Bahia tem gente que acha que é dono do estado, que na Bahia tem um senador descarado que discursa contra a corrupção e é o maior corrupto deste país e que na Bahia tem um movimento estudantil aguerrido, combativo e enfurecido, que não foge a luta e que se dedica ao combate desta praga maligna e oriunda das trevas representada pelo carlismo. Polícia é pra ladrão, pra estudante não!!!
A (autoritarismo) C (corrupção) M (mentira) == ACM
Continuaremos na luta e pedimos aos companheiros que repassem estas informações para todo o movimento estudantil do Brasil.
Forte abraço, José Vivaldo Mendonça FEAB/DCE-UESC - Ilhéus/BA
Diretório Acadêmico de Agronomia/UESC Comissão Organizadora VIII ERA/NE Ilhéus/Bahia dagro@uesc.br

"O apoio faz a diferença. A confiança faz a parceria"

7.11.2005

O SHOW DO NOSSO JORNALISMO

A cobertura dos escândalos

Paulo Thiago Ribeiro Santos

A cobertura que a imprensa nos tem oferecido a atual crise política brasileira, revelam claras tendências e práticas jornalísticas no mínimo condenáveis e curiosas. Submissão ao capital, reportagens tendenciosas e a falta de coragem na apuração dos fatos, são somente alguns dos péssimos exemplos que o nosso jornalismo tem apresentado na apuração do “espetáculo” da CPI dos Correios e do “escândalo” do mensalão.

Atraso na publicação? Será? Será?

Para começar, fazendo uma rápida retrospectiva dos fatos, o jornalista da revista Istoé -Dinheiro Leonardo Attuch, pois em questão a influência dos interesses de uma corporação mídiatica com seus patrocinadores (e por lógica, ao capital privado) e o grau de hierarquização de uma reportagem ou informação. Porque o que aconteceu foi que ele havia feito um a reportagem com a então secretária do empresário Marcos Valério, ganhador da licitação para agências de publicidade dos Correios, Fernanda Karina, em setembro do ano passado. Porém, somente foi publicada agora. O seu conteúdo trata justamente de informações importantes e relevantes sobre a apuração da facilidade de contratos de licitação dos Correios, e de também do uso da empresa de Valério a mando de alguns dirigentes petista, para pagamento de uma tal mesada para outros políticos. Ou seja, devido a algum motivo obscuro a revista optou pela sua publicação tardia, pelo ocultamento de uma informação que de certa forma merecia uma investigação.

Estamos tratando aqui então de um caso em que uma empresa omitiu uma informação de grande importância, sem prestar esclarecimentos ao público o motivo real da sua publicação e por conseguinte os fatores que a impediram. A falta de transparência do jornalista, e por fim de uma corporação que submete o exercício de levar a ética e a informação aos lares das pessoas, ao dinheiro de outras empresas irresponsáveis.

Arapongas

Outro exemplo de descaso jornalístico foi o da “história” do vídeo gravado pelo ex-agente da ABI, Jairo Martins de Souza, que mostra o envolvimento do ex-funcionário dos Correios Maurício Marinho aparecendo recebendo propina de 3 mil reais. O mais interessante disso tudo antes de qualquer coisa, é que este araponga marketeiro de câmeras escondidas, pois não é a primeira vez que ele faz isso, se diz jornalista formado e promotor do bem social. Simplesmente atendendo ao pedido de um amigo, ele arma uma câmera para a possível filmagem do crime e posteriormente cede as imagens a um outro amigo só que desta vez da imprensa, por considerar que estará fazendo a promoção da verdade e da justiça.

O que isso nos revela? O desenvolvimento de um jornalismo que se prende a grampos telefônicos, a filmagens escondidas, em troca de vantagens políticas ou econômicas, além de uma imprensa que gabarita e promove seus profissionais na busca de noticias diárias sem que tenham fundo de reportagens (de estudos e pesquisas). Isso acontece devido à falta de incentivo das redações por exemplo no financiamento de apurações mais completas das informações. O que está ocorrendo? Está faltando dinheiro para exercer o jornalismo? Será que iremos apoiar a nossa imprensa na prática da araponga?

Outra coisa, a imprensa inunda a população segundo a sua ótica isso é lógico. Mas o que deixamos de analisar é que certas verdades (as mais sinistras) têm sido deixadas de fora. A CPI revela que não somente existe aqueles que corrompem e sim também aqueles que financiam. No caso do mensalão até o simples fato de se pagar uma mesada, vaio existir pessoas que patrocinaram tal ato ilícito. É daí que se faz necessário a apurar isso e colocar este fato em público. Ou será que todos têm rabo preso? Nós queremos saber de tudo, apesar de a mídia estar se tornando o 4 poder nunca a sociedade deixará de ser a maior força!!

7.07.2005

O FUTURO DO JORNALISMO - Blog versus Jornalismo

Paulo Thiago Ribeiro

O advento de novas tecnologias de comunicação vem promovendo profundas transformações no que se relaciona como o modo de transmissão, produção e recepção da informação. A prática do jornalismo passa a sofrer questionamentos, dúvidas quanto ao seu modelo e padrão de inserção nesta nova realidade, marcada pela influência da rápida e recíproca comunicação on-line. Dessa forma, a Internet desponta como um veículo que garante o acesso a grande quantidade de informação, numa maior velocidade e que possibilita a todos devido ao seu certo caráter democrático de livre exposição de ideais, a capacidade da livre produção da informação.

Os Blogs

Os Blogs surgem assim como um espaço que permite o registro e o acréscimo de informação daquelas registradas pela mídia impressa e por tantas as outras. A sua utilização não possui restrição cultural ou mesmo ideológica. Este processo promoveu a chance das pessoas comuns serem agora os mediadores da informação, fato que nunca antes fora observado com tamanha grandeza e amplitude. O imediatismo da informação é um dos tantos dos tantos fatores que vem classificar o blog como um veículo dentro de outro que se adaptou de forma rápida ao jornalismo atual e talvez, futuro.

As suas vantagens podem ser constadas em exemplos como: a possibilidade de se fazer várias edições do que se foi escrito; o autor possuir maior autonomia e de não sofrer processo de censura, por justamente não contar com patrão; por abrir canal de discussão com internautas, tornando o veículo muito mais democrático e recíproco; e de contar com um modelo que se aproxima do jornalismo on-line, ou seja, de um modelo que trabalhe com uma linguagem realmente não linear (hipertextos).

Este também é um canal que consegue atrair audiências específicas, como a de você que está lendo este blog neste momento, e de estar ajudando devido à oportunidade de se fazer constantes edições ou postagens a uma maior proliferação e distribuição da informação. Pois neste nosso cenário, a avalanche de informação é tamanha que as pessoas sentem dificuldade em apurar aquilo que é essencial ou o que é verídico.

Paradoxo

O que parece estranho é verificar que numa sociedade definida pela globalização econômica e cultural existam, a exemplo dos blogs, universos ciberdemocráticos em que diferentes classes sociais (mas nem tanto) desfrutem de canais de discussões que podem levar a outras discussões só que desta vez não interpessoal e sim pessoal. As pessoas podem passar a se organizarem promoverem encontros, reuniões, mantêm contatos físicos, em fim, fazem o que hoje em dia está se tornando um tanto quanto difícil.

Futuro, dúvidas

Será que está no formato do blog o futuro do jornalismo?Será que os profissionais estão preparados para enfrentar está nova estrutura?Quais são os modelos a serem seguidos?Dúvidas estas que ainda se encontram sem respostas e sem expressão de preocupação por parte das faculdades.

De Barriga Vazia

O povo brasileiro já conhece por experiência histórica: a utilização de campanhas ufanistas como essa para promover um certo clima de bem-estar social frente à uma realidade cruel. Na década de 70, o governo militar, com forte censura e opressão, utilizou-se da mídia principalmente nas atividades desportivas, que sempre despertavam comoção nacional (a exemplo do futebol), para promover o nacionalismo em meio à falta de liberdades sociais.

O brasileiro fica preocupado, e mais ainda quando vê o presidente da República, com todo o seu passado de combate às injustiças sociais, adotar duvidosos recursos. O certo é que campanhas como essa não mudarão a realidade de milhões arrasados cotidianamente pela tsunami da seca, da fome, da miséria, e que talvez somente projetos sociais com grande responsabilidade na distribuição de verbas tenham a capacidade de modificar a auto-estima nacional, pois nem super-homem consegue ser patriótico de barriga vazia.
Texto publicado na seção do canl do leitor no site do Observatório da Imprensa: http://www.observatoriodaimprensa.com.br