Informação com credibilidade e autonomia. Cosnciente do uso do "ctrl c e v" em tempos de muita informação. LEIA e ajude a aumentar a massa de críticos (ativos ou inativos) do país.

9.15.2005

CRÍTICA DE TV. ALGUÉM SABE O QUE É ISSO ?

Paulo Thiago Ribeiro
Ao se discutir sobre o exercício e a prática da crítica, estamos fazendo uma reflexão sobre algo que representa a promoção do desenvolvimento da cultura no sentido de se estar expandindo novos horizontes e permeando novos conhecimentos para a sociedade.
O crítico deve se orientar por vertentes que passem pela valorização daquilo que não é só essencial e importante para ele. Ou seja, o simples fato de escrever alguma coisa de conteúdo contestatório apenas para enaltecer seu ego e lhe possibilitar maior status social, deve ser deixado de lado em prol de uma produção que realmente traga eficácia e ganhos coletivos.
A atividade crítica é algo penoso e complexo como afirma o autor Arthur Távola – em seu texto, nosso objeto de estudo. Ela necessita de estudo, de conhecimento prévio daquilo que vai ser tratado, Pois dessa forma, a crítica não se submete apenas a um olhar particularmente subjetivo que transfere a ótica do seu autor.
A crítica de televisão deve ser tratada de forma especial. Por se diferenciar dos outros meios devido a uma série de fatores, dentre eles, a produção de informação e entretenimento quase que de forma instantânea, a elaboração dos discursos que analisam o seu conteúdo deve levar em consideração todos os requisitos e conhecimentos técnicos nas suas várias etapas que geram ao final um produto –o programa -. Além disso, os críticos de TV devem manter um estreito relacionamento com as produções televisivas, porque isto garante uma maior credibilidade à informação e de também uma segurança quanto ao que se escreve. Ora, se os telespectadores são observadores das produções, então não cabe produzir erros que irão transmitir descredibilidade.
Com certeza os críticos assim como os comunicólogos não devem ter pré-conceitos daquilo que os meios de comunicação produzem. Por isso considero mais eficaz para uma boa informação a oportunidade de se acompanhar algo, de poder descrever o seu desenrolar, a sua evolução. Um exemplo para ilustrar isso, podem ser as críticas tecidas sobre documentários produzidos pelas emissoras. Nelas constam relatos da produção, que vai desde o desempenho de seus atores até na forma de como se definiu o cenário e de como é o enredo, porém com a segurança de se trabalhar tendo todos os dados e com a oportunidade de avaliar o desenvolvimento da “obra”.
Na nossa TV, a tradição cultural de seus conteúdos consiste em formatos de programas medíocres em informação e cultura. Eles variam de gêneros mas, sempre caem no formato consagrado de entretenimento barato que até é atestado pelos seus produtores, como exposição de temas e costumes populares. Sendo que, aquilo que é realmente transmitido nada representa o que é de fato cultura popular.
A nossa tradição se baseia em tratar a cultura como algo mercadológico que atende apenas a um sistema sedento de lucros. Creio que não haja uma forte tradição cultural na TV brasileira principalmente entre as emissoras comerciais, levando em conta o termo cultura como fonte de conhecimento, amadurecimento e valorização democrática. Porque o que agente observa depois de tanto tempo, desde a primeira emissora a TV Tupi, foi a implantação de um sistema assim como a da criação da TV, com o objetivo de ser mais um eletrodoméstico que seguirá as normas do mercado financeiro ensinando a toda a sua audiência, um modelo estereotipado de consumo e de ser.
Retornando a atividade de fazer crítica de TV, quero destacar agora a capacidade de ela interferir no processo produtivo dos programas e em suas estratégias de exibição. Ela de forma contraditória acaba fazendo parte de todo este sistema, que inclui também a audiência e os produtores. Para justificar essa possível interferência, basta citarmos que as produções televisivas são constantes, são semanais e diárias e, além disso o mercado conta com ela para promover mudanças que tragam e gerem mais lucros. Ou seja, os interesses mercadológicos absorvem a crítica para desenvolver os seus investimentos.
Isso acontece quando, por exemplo, as novelas recebem críticas que atestam a sua baixa audiência devido a seu enredo ruim ou ao seu péssimo cenário, e assim as emissoras aproveitam para promover alterações que venham a trazer agora lucros e benefícios. Porém, estas críticas podem ser superficiais e atender principalmente a apenas o mercado. Em resumo, TV usa da crítica para promover um reajustamento da sua audiência.
Porém quando ela é feita por pessoas que buscam avaliar o papel da televisão e a influência de seus programas dentro da sociedade, obtém um forte impacto. Estas são críticas éticas e responsáveis que analisam profundamente todo o sistema, buscando identificar melhoras e mudanças dentro de algo que combate a uma cultura saudável. Geralmente estas críticas não alcançam muito espaço, pois como foi dito, elas de alguma forma tentam ou incitam promover alterações quando alguma coisa não está dando certo. “Quem tem discurso crítico não dispõe de canais para expressão. Quem predominantemente os ocupa tende a oscilar entre o tom demagógico e o auto-investimento na imagem (marketing pessoal). O consumo de "produtos do entretenimento" está nivelado por baixo, tornando os segmentos societários indiferenciados. ( texto de Ivo Lucchesi, Mídia e Cultura, site do Observatório da Imprensa).” E quem produz essas críticas atualmente detém de um grande acervo de informação, talvez esteja até ai na capacidade de se selecionar as mais importantes, o fato de ter uma boa crítica. “No Brasil, todos os grandes jornais, a começar pelo O Estado de S. Paulo, aos poucos passaram a dispor de arquivos, mais ou menos rudimentares, quando os jornalistas começaram a mudar a prática de cada um se virar por si como possível. Mas certamente um marco terá sido o Departamento de Pesquisa do Jornal do Brasil, criado por Alberto Dines em 1962, tão logo assumiu o comando da redação para uma gestão renovadora que se estenderia por quase 12 anos.(Ricardo Setti).”
O crítico de hoje, o crítico de TV, é uma pessoa que ganhou maior aceitação social e méritos de uma inteligência que é capaz de estar sempre analisando o que há por trás do discurso televisivo. Os seus estudos operam mais no sentido de dar amplitude política e social a este meio que ganha relevância com o decorrer dos anos. Procurando observar as relações, principalmente a de poder, que existe entre os meios e a sociedade. Dentre alguns desses críticos podemos destacar, os jornalistas: Alberto Dines, Nelson Hoineff, Muniz Sodré (baiano), Carlos Brickman e Alberto Castilho.

8.06.2005

Watergate: divisor de água

Paulo Thiago

O caso célebre do “assalto” ao edifício comercial de watergate em Washington, Estados Unidos, representou para todo o mundo principalmente para aquele país um marco histórico na prática da atividade jornalística e no que se relaciona a credibilidade política da sociedade ao governo norte-americano.

Na noite de 17 de junho de 1972, cinco ladrões usando luvas de borrachas e equipamentos de espionagem invadiram o prédio da sede do partido democrata em Washington. O seu objetivo era instalar aparelhos de escutas e obter informações do partido que fazia oposição ao governo do então presidente Richard Nixon. Este grupo era mantido pelo governo através de poderosos aliados e chefes políticos, valendo dizer que a ramificação desta atividade não se restringiu a fazer pequenas operações, pois o que estava em jogo era a reeleição do presidente Nixon.

Pegos em flagrante pelos seguranças do prédio, os assaltantes que eram ex-agentes da FBI eram mantidos assim pela máquina do governo presidencial. Dessa forma os julgamentos dos mesmos se prolongaram durante anos. A mídia pela ausência de fatos novos ou mesmo pela ausência de ética e responsabilidade social, se isentou de dar maior cobertura ao escândalo, salvo uma equipe jovem de repórteres do jornal Washington Post, Bob Woodward e Carl Bernstein.

Estes jornalistas através de uma atitude ousada e persistente contrariavam de certa forma a linha editorial do jornal ao se prolongar em demasia num mesmo “fato”. Buscando a todos os custos e formas novas fontes que pudessem ligar o acontecido a outras coisas, os repórteres muitas vezes encontravam-se em dificuldade devido a ausência de conexões entre os fatos e boatos já apurados por eles.

É aí que entra em jogo a figura misteriosa e universal do “Garganta Profunda”. Este termo foi utilizado durante muito tempo para designar a fonte secreta e anônima de Woodward. O encontro com esta fonte era sempre rodeado de mistério, enigmas e intrigas –como foi revelado no filme “Todos os Homens do Presidente”. Os encontros eram marcados pelo jornalista toda vez que ele colocava uma bandeira vermelha em um vaso na varanda do seu apartamento. Mas, o que chama atenção é a questão de como este jornalista obteve acesso a esta fonte e que durante 30 anos ele jurou não revelar o nome.

Somente em 31 de maio deste ano o Washington Post revelou a identidade da famosa fonte. Na reportagem do jornal, o ex-funcionário do FBI (polícia federal dos EUA) Mark Felt, 91 anos, é dito como a fonte segura que passou informações e maiores esclarecimentos à impressa do caso Watergate.

O impacto político de todo este caso foi muito grande. A repercussão de que o comando de governo do presidente e do próprio, estar envolvido no caso de grampos telefônicos e de outras atividades de espionagem, levou a Suprema Corte a tomar medidas políticas. Ela encaminhava uma proposta de impeachment ao presidente em 1974 principalmente pelas acusações de obstrução a justiça, desacato de ordens judiciais e abuso de poder, quando Nixon em 9 de agosto do mesmo ano se antecipou e renunciou ao cargo.

Acabava aí o governo do líder republicano, eleito em 1968 e reeleito em 1972, e uma das mais graves crises políticas registradas por aquele país.


A imprensa

Fica registrado então o papel da impressa nesse escândalo político que culminou na renúncia de um presidente corrupto e na condenação de várias outras pessoas que estavam direta e indiretamente ligadas a toda a falcatrua. Woodward e Bernstein, fizeram um trabalho penoso ao investigar de forma acirrada e perigosa todos os elementos que culminaram no produto final. Para se ter uma idéia disso, da famigerada expressão do jornalismo investigativo, eles vasculharam informações em todos os lugares possíveis, entrevistaram pessoas envolvidas num esquema estratégico de fazer os entrevistados sempre falar mais alguma coisa, correram risco de vidas, se dedicaram ao estudo da notícia e analisaram muito os discursos dos envolvidos.

O que se pode tirar disso tudo são conclusões a respeito do exercício do jornalismo a serviço da sociedade sobretudo e da ética profissional. Quanto a ética, podemos dizer que em muitas vezes foi necessário por exemplo subornar alguém para obter algum tipo de informação exclusiva, ou mesmo do jornal está omitindo nos seus artigos as fontes das quais está se obtendo as informações. Será que o melhor caminho para se alcançar êxito numa grande investigação é a trilha da omissão da transparência? Será que o público, o leitor, não tem direito de saber como as notícias foram produzidas, assim como as influências e interferências que elas sofreram? Outra coisa que pode gerar discussões acerca deste jornalismo é o fato de algumas reportagens baseiar-se em boatos, comentários soltos que era justificado apenas pelo fator verbal, dando assim a impressão como foi observado também em algumas vezes no filme que retrata o caso Watergate. A idéia de mentira, de uma notícia sem argumentos. Por isso que uma questão surge: até que ponto vale levantar e registrar um comentário verbal, importante até, sabendo que depois o próprio autor do discurso vai fugir da responsabilidade e da autoria?

Por outro lado, o jornalismo investigativo dos dois repórteres foi além dos outros. Sempre com seu caderno de anotações em mãos eles procuram resquícios de informações em todo o canto. Analisaram todo o governo daquela época, bem como
estudaram as teias de relações que havia entre os chefes políticos. Tudo o que um bom jornalismo pede, porque eles estavam realmente reportando a notícia, pesquisando os fatos. Realidade esta muito difícil nos tempos atuais.Visto que as nossas redações se encontram despreparadas para enfrentar uma boa investigação, seja pelo fator financeiro seja pelo fator de que elas necessitam e sofrem interferência editorial cada vez mais da penetração do capital dos anunciantes.

Porém o jornalismo não consiste em grampos e fitas, como afirma o jornalista Aberto Dines, “jornalismo fiteiro”. A atividade jornalística deve funcionar de forma racional, imparcial e autônoma em todas as suas decisões editoriais. Manter relações de escambo não é a nossa saída, trocar vantagens pela posse de uma fita comprometedora nem “sempre” é a saída (fui um pouco paradoxo agora).



Conseqüências

O caso de Watergate com certeza representou muito para o jornalismo e principalmente para a população norte americana. Estudos passaram a serem feitos a parti da renúncia de Nixon e eles comprovavam o que já se esperava: os cidadãos dos EUA mudaram os seus comportamentos diante da imagem e a pessoa do presidente. A credibilidade agora é questionada por muitos.

Para a imprensa, o caso, o escândalo, representou aumento da vendagem diária dos exemplares e também da credibilidade do jornal Washington Post. Iniciava aí em escala mundial uma nova fase do jornalismo, o jornalismo investigativo.

7.12.2005

ESTUDANTES SÃO AGREDIDOS EM ILHEÚS

REGISTRO DE TRUCULAGEM
Enquanto isso, em Ilhéus...

Companheiros, No dia 17/06 de 2005, mais uma vez na Bahia, a truculência e a falta de democracia falou mais alto. A cidade de Ilhéus recebia a visita do Governador Paulo Souto e do Senador ACM para inaugurações e assinaturas de convênios com prefeituras da região e, como toda vez acontece, os carlistas e soutistas ficaram em polvorosa, excitados com a presença dos babalaôs baianos. Nós, estudantes da UESC (Universidade Estadual de Santa Cruz), em reunião no dia anterior, demos o encaminhamento de que aproveitaríamos a presença do Governador do Estado para fazer um ato público em defesa da universidade pública. Vale ressaltar que já ultrapassamos 50 dias de greve conjunta com os professores. Nesse sentido, cerca de 20 estudantes, estenderam na frente do carro da comitiva, a faixa com o seguinte dizer "ESTAMOS EM GREVE PARA QUE SEUS FILHOS POSSAM ESTUDAR NA UESC", parando o trânsito por mínimos de 30 segundos e receberam uma hostil recepção calorosa dos seguranças de ACM. O carro que parou em frente a faixa transportava o canalha, vagabundo, desgraçado, cachorro, lesa-pátria, demagogo, nefasto, nazista e nauseabundo Senador Antônio Carlos Magalhães. Revivemos a ditadura militar. A segurança do senador e do governador não procuraram diálogo para o desbloqueio, partiram para a pancadaria. Não pouparam as mulheres, todos caíram no sarrafo. Chutes, pontapés, pescoções, murros e ameaças. Chegaram a sacar os revolvéres. A população transeunte ficou estarrecida. Impressionada com a vontade de reprimir um ato pacífico em defesa da universidade pública, com a agressividade, truculência e arrogância que são as marcas do carlismo na Bahia.
O companheiro Halysson Gomes, Coordenador Geral do DCE, teve a oportunidade de chegar na janela do carro que transportava ACM, e quando o senador o encarou ele gritou "DEMAGOGO". A PM tentava derrubar os estudantes dando chutes nas pernas. Nosso companheiro Denisson, do curso de História, foi espancado por 5 homens que depois de derrubado foi agredido com pontapés. As cenas começaram a ser registradas por Paulo Thiago, estudante de Comunicação Social, quando os seguranças da quadrilha viram a máquina e partiram contra o equipamento na clara intenção de não deixar testemunhas.
Mas a repressão não terminou com a passagem da comitiva. Terminado o ato, todos os estudantes andavam em direção ao Terminal Urbano, para pegar o ônibus e voltar para a Universidade, quando uma tropa do Choque e de seguranças não identificados, reiniciaram a pancadaria. Perseguiram o estudante Paulo Thiago para roubar a câmera que registrou a imagem dos agressores. Após muita correria e perseguição pelas ruas do centro, mais de quinze homens cercaram o companheiro e levaram o equipamento portátil, tentaram levar sua mochila, estavam procurando a fita. O equipamento foi entregue pela Polícia Militar a um homem não identificado, que estava num carro do governo do estado, isso mesmo, os agressores não identificados estavam em carros brancos com a logomarca do Governo do Estado da Bahia nas portas, como a expressão da conivência com a repressão. A máquina administrativa estava a serviço da truculência. Todos es estudantes agredidos foram para delegacia registrar queixa e fazer exame de corpo de delito.
A repressão está sendo denunciada amplamente. Rádios e jornais da região estão noticiando e faz-se necessário que espalhemos para o Brasil que na Bahia a múmia chamada ACM mandou espancar estudantes universitários indefesos, que na Bahia a democracia é uma falácia, que na Bahia o coronelismo ainda não acabou, que na Bahia tem gente que acha que é dono do estado, que na Bahia tem um senador descarado que discursa contra a corrupção e é o maior corrupto deste país e que na Bahia tem um movimento estudantil aguerrido, combativo e enfurecido, que não foge a luta e que se dedica ao combate desta praga maligna e oriunda das trevas representada pelo carlismo. Polícia é pra ladrão, pra estudante não!!!
A (autoritarismo) C (corrupção) M (mentira) == ACM
Continuaremos na luta e pedimos aos companheiros que repassem estas informações para todo o movimento estudantil do Brasil.
Forte abraço, José Vivaldo Mendonça FEAB/DCE-UESC - Ilhéus/BA
Diretório Acadêmico de Agronomia/UESC Comissão Organizadora VIII ERA/NE Ilhéus/Bahia dagro@uesc.br

"O apoio faz a diferença. A confiança faz a parceria"

7.11.2005

O SHOW DO NOSSO JORNALISMO

A cobertura dos escândalos

Paulo Thiago Ribeiro Santos

A cobertura que a imprensa nos tem oferecido a atual crise política brasileira, revelam claras tendências e práticas jornalísticas no mínimo condenáveis e curiosas. Submissão ao capital, reportagens tendenciosas e a falta de coragem na apuração dos fatos, são somente alguns dos péssimos exemplos que o nosso jornalismo tem apresentado na apuração do “espetáculo” da CPI dos Correios e do “escândalo” do mensalão.

Atraso na publicação? Será? Será?

Para começar, fazendo uma rápida retrospectiva dos fatos, o jornalista da revista Istoé -Dinheiro Leonardo Attuch, pois em questão a influência dos interesses de uma corporação mídiatica com seus patrocinadores (e por lógica, ao capital privado) e o grau de hierarquização de uma reportagem ou informação. Porque o que aconteceu foi que ele havia feito um a reportagem com a então secretária do empresário Marcos Valério, ganhador da licitação para agências de publicidade dos Correios, Fernanda Karina, em setembro do ano passado. Porém, somente foi publicada agora. O seu conteúdo trata justamente de informações importantes e relevantes sobre a apuração da facilidade de contratos de licitação dos Correios, e de também do uso da empresa de Valério a mando de alguns dirigentes petista, para pagamento de uma tal mesada para outros políticos. Ou seja, devido a algum motivo obscuro a revista optou pela sua publicação tardia, pelo ocultamento de uma informação que de certa forma merecia uma investigação.

Estamos tratando aqui então de um caso em que uma empresa omitiu uma informação de grande importância, sem prestar esclarecimentos ao público o motivo real da sua publicação e por conseguinte os fatores que a impediram. A falta de transparência do jornalista, e por fim de uma corporação que submete o exercício de levar a ética e a informação aos lares das pessoas, ao dinheiro de outras empresas irresponsáveis.

Arapongas

Outro exemplo de descaso jornalístico foi o da “história” do vídeo gravado pelo ex-agente da ABI, Jairo Martins de Souza, que mostra o envolvimento do ex-funcionário dos Correios Maurício Marinho aparecendo recebendo propina de 3 mil reais. O mais interessante disso tudo antes de qualquer coisa, é que este araponga marketeiro de câmeras escondidas, pois não é a primeira vez que ele faz isso, se diz jornalista formado e promotor do bem social. Simplesmente atendendo ao pedido de um amigo, ele arma uma câmera para a possível filmagem do crime e posteriormente cede as imagens a um outro amigo só que desta vez da imprensa, por considerar que estará fazendo a promoção da verdade e da justiça.

O que isso nos revela? O desenvolvimento de um jornalismo que se prende a grampos telefônicos, a filmagens escondidas, em troca de vantagens políticas ou econômicas, além de uma imprensa que gabarita e promove seus profissionais na busca de noticias diárias sem que tenham fundo de reportagens (de estudos e pesquisas). Isso acontece devido à falta de incentivo das redações por exemplo no financiamento de apurações mais completas das informações. O que está ocorrendo? Está faltando dinheiro para exercer o jornalismo? Será que iremos apoiar a nossa imprensa na prática da araponga?

Outra coisa, a imprensa inunda a população segundo a sua ótica isso é lógico. Mas o que deixamos de analisar é que certas verdades (as mais sinistras) têm sido deixadas de fora. A CPI revela que não somente existe aqueles que corrompem e sim também aqueles que financiam. No caso do mensalão até o simples fato de se pagar uma mesada, vaio existir pessoas que patrocinaram tal ato ilícito. É daí que se faz necessário a apurar isso e colocar este fato em público. Ou será que todos têm rabo preso? Nós queremos saber de tudo, apesar de a mídia estar se tornando o 4 poder nunca a sociedade deixará de ser a maior força!!

7.07.2005

O FUTURO DO JORNALISMO - Blog versus Jornalismo

Paulo Thiago Ribeiro

O advento de novas tecnologias de comunicação vem promovendo profundas transformações no que se relaciona como o modo de transmissão, produção e recepção da informação. A prática do jornalismo passa a sofrer questionamentos, dúvidas quanto ao seu modelo e padrão de inserção nesta nova realidade, marcada pela influência da rápida e recíproca comunicação on-line. Dessa forma, a Internet desponta como um veículo que garante o acesso a grande quantidade de informação, numa maior velocidade e que possibilita a todos devido ao seu certo caráter democrático de livre exposição de ideais, a capacidade da livre produção da informação.

Os Blogs

Os Blogs surgem assim como um espaço que permite o registro e o acréscimo de informação daquelas registradas pela mídia impressa e por tantas as outras. A sua utilização não possui restrição cultural ou mesmo ideológica. Este processo promoveu a chance das pessoas comuns serem agora os mediadores da informação, fato que nunca antes fora observado com tamanha grandeza e amplitude. O imediatismo da informação é um dos tantos dos tantos fatores que vem classificar o blog como um veículo dentro de outro que se adaptou de forma rápida ao jornalismo atual e talvez, futuro.

As suas vantagens podem ser constadas em exemplos como: a possibilidade de se fazer várias edições do que se foi escrito; o autor possuir maior autonomia e de não sofrer processo de censura, por justamente não contar com patrão; por abrir canal de discussão com internautas, tornando o veículo muito mais democrático e recíproco; e de contar com um modelo que se aproxima do jornalismo on-line, ou seja, de um modelo que trabalhe com uma linguagem realmente não linear (hipertextos).

Este também é um canal que consegue atrair audiências específicas, como a de você que está lendo este blog neste momento, e de estar ajudando devido à oportunidade de se fazer constantes edições ou postagens a uma maior proliferação e distribuição da informação. Pois neste nosso cenário, a avalanche de informação é tamanha que as pessoas sentem dificuldade em apurar aquilo que é essencial ou o que é verídico.

Paradoxo

O que parece estranho é verificar que numa sociedade definida pela globalização econômica e cultural existam, a exemplo dos blogs, universos ciberdemocráticos em que diferentes classes sociais (mas nem tanto) desfrutem de canais de discussões que podem levar a outras discussões só que desta vez não interpessoal e sim pessoal. As pessoas podem passar a se organizarem promoverem encontros, reuniões, mantêm contatos físicos, em fim, fazem o que hoje em dia está se tornando um tanto quanto difícil.

Futuro, dúvidas

Será que está no formato do blog o futuro do jornalismo?Será que os profissionais estão preparados para enfrentar está nova estrutura?Quais são os modelos a serem seguidos?Dúvidas estas que ainda se encontram sem respostas e sem expressão de preocupação por parte das faculdades.

De Barriga Vazia

O povo brasileiro já conhece por experiência histórica: a utilização de campanhas ufanistas como essa para promover um certo clima de bem-estar social frente à uma realidade cruel. Na década de 70, o governo militar, com forte censura e opressão, utilizou-se da mídia principalmente nas atividades desportivas, que sempre despertavam comoção nacional (a exemplo do futebol), para promover o nacionalismo em meio à falta de liberdades sociais.

O brasileiro fica preocupado, e mais ainda quando vê o presidente da República, com todo o seu passado de combate às injustiças sociais, adotar duvidosos recursos. O certo é que campanhas como essa não mudarão a realidade de milhões arrasados cotidianamente pela tsunami da seca, da fome, da miséria, e que talvez somente projetos sociais com grande responsabilidade na distribuição de verbas tenham a capacidade de modificar a auto-estima nacional, pois nem super-homem consegue ser patriótico de barriga vazia.
Texto publicado na seção do canl do leitor no site do Observatório da Imprensa: http://www.observatoriodaimprensa.com.br